terça-feira, julho 27

Viagem na minha terra 1


1. Breve nota antes do primeiro passo

A viagem na minha terra começa para norte. Porque para sul é sempre um regresso a casa. E a viagem, se é viagem, tem de começar para longe. Mesmo que a terra seja minha e esta seja talvez a viagem que me levará a percorrer a distância mais curta de sempre. Não será necessário cruzar sequer uma fronteira, a não ser as naturais, aquelas que fazem as cidades e os rios e as montanhas. Apesar do título, não vou à procura do Portugal de Garrett, antes do Portugal que é meu, a minha terra que conheço mas que não conheci como as outras. Nunca viajei por Portugal de mochila às costas, ao sabor do acaso de sempre, dependendo de transportes públicos e infrastruturas locais. Claro que já viajei de carro, de autocarro, de comboio, de barco e até de bicicleta. Mas nunca ao sabor dos dias, como se tivesse acabado de aterrar na Portela vindo de uma paragem qualquer. É esse Portugal que quero conhecer. Tenho apenas uma semana para o fazer e sou forçado a escolher um destino, a cortar o país ao meio e a deixar uma parte para outras viagens na minha terra. Escolho então o norte. Talvez porque o norte seja o início da minha terra, o lugar por onde tudo começou, talvez porque seja a região que conheço menos, talvez então porque as viagens têm de começar para longe do regresso. Ainda assim, como sempre, não sei o que esta viagem poderá trazer. Sigo para norte, mas poderei acabar no sul. A cada dia pertence apenas uma decisão e a de hoje é esta: apanhar um comboio para norte.  

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