quinta-feira, julho 22

Diários da Florida 9

Depois das cidades gigantescas e praias paradisíacas, é agora tempo de descobrir uma outra América. Rumamos de novo para sul, em direcção aos pântanos. As Everglades são descritas pelos locais como Old Florida e ao chegar é fácil perceber porquê. Se me dissessem que estou no Alabama ou no Texas da minha imaginação, não seria difícil acreditar.

O lugar onde ficamos, mesmo à beira das águas do pântano: o Rod&Gun Club tem quase 150 anos, mas o tempo mal parece ter passado por aqui.





A Everglades Community Church tem uma particularidade. construída em finais do século 19, foi fundada com uma condição: não ter um culto específico. Todas as congregações e crenças podem celebrar aqui os seus rituais. Um desafio à concepção intolerante que nós europeus temos sobre o sul da América.

Diários da Florida 8

Em todas as viagens, descobrem-se pequenas coisas que surpreendem. Para além de toda a novidade gigantesca de um mundo sempre novo, há os minúsculos enigmas do dia-a-dia, os quase pormenores que fazem um qualquer país ser único. As quatro fotografias abaixo dão um pequeno retrato dessas mini-surpresas que até poderiam passar despercebidas.

Build your own six pack. Perto do hotel em Fort Myers, descubro esta preciosidade. Entra-se numa estação de serviço e lá dentro não está um frigorífico. Está uma sala que é um frigorífico. Quase que é preciso levar um casaco para ir às compras. Centenas de marcas de cerveja nacionais e internacionais, é só escolher e experimentar. Junto às portas, caixas de cartão onde cabem seis garrafas. O rótulo da caixa diz quase tudo: what else do you need?




Em Sanibel Island, um óptimo restaurante de frente para a água, mas mais duas curiosidades. A primeira é o nome da empregada. Juro que é a segunda vez que encontro uma empregada chamada Debbie e diria até que são parecidas. Estão a ver aquelas senhoras de idade que andam de um lado para o outro com um bule de café e uma pala na cabeça? Pois, é mais ou menos isso. Será que mudam o nome depois de começarem a trabalhar ou é um requisito? Mas outra curiosidade torna-se num enigma que fica por resolver. No recibo, logo depois da soma, esta pergunta: Did you catch de elusive greenflash? Se alguém souber o que isto quer dizer ou a resposta, por favor, deixe comentário neste post.

Em Captiva Island, onde milhares de pequenas conchas habitam a beira-mar, esta loja que é um trava-língua. Tenho de ler o placard à entrada três vezes para perceber. She Sells Sea Shels. Tentem dizer três vezes seguidas sem dizerem coisas como "sea shels she sells"...




Já tinha reparado que não havia papelarias por aqui, mas isto é um exagero. Os jornais compram-se em supermercados, estações de serviço ou então assim, em caixas de venda automática à beira da estrada. A questão é que cada jornal tem a sua caixa própria. O resultado são estas filas de cores plásticas em que descobrir o jornal que queremos é um exercício ao nível de uma agulha num palheiro.

quarta-feira, julho 21

Diários da Florida 7

Imagine-se um lugar perfeito. Uma sucessão de ilhas que demora quase três dias a percorrer, mais de duzentos quilómetros de praias. O mar é azul turquesa, a areia é branca e fina. As pessoas, essas, caminham de um lado para o outro com o ar mais feliz e descontraído deste mundo. Todas as ruas se atravessam em qualquer ponto, os carros param para deixar passar, o tempo secundário e insignificante. As ruas, as praias, as casas, tudo limpo e organizado, por toda a parte há sinais e orientações cumpridas com naturalidade. Ao longo da ilha, há pequenas vilas com casas de madeira com ar de filme dos anos 80, material fácil de construir e destruir porque os furacões levam tudo num ápice. Mas ninguém parece importar-se muito com isso. O sol brilha e por toda a parte e as esplanadas enchem-se com conversas e risos soltos em voz alta. Come-se crocodilo e caranguejo e a cerveja é leve para aliviar o calor. Depois de comer, dorme-se a sesta à sombra de uma palmeira de frente para o azul infinito. Entretanto, centenas de pescadores continuam debruçados sobre pontões de madeira disputando o peixe aos pelicanos. Há espaço e porque há espaço, toda a gente parece ter direito à vida. Quando a tarde começa a chegar ao fim, dá-se mais um mergulho nas águas mornas enquanto o céu se faz cor-de-laranja como nas tardes mais felizes da infância. Imagine-se que um lugar assim existe mesmo. Não é difícil. Basta ser feliz.
 
Anna Maria Key



Pontão em Anna Maria Key. Ao fundo, talvez um dos melhores restaurantes de praia do mundo, onde os fish sticks se derretem na boca, os crab cakes são de chorar e a budweiser gelada dá vontade de mergulhar dentro da garrafa. A empregada mexicana fica radiante quando descobre que falo espanhol. Portugal? Nunca ouviu falar.


Bradenton Beach, Anna Maria Key
 
 
Longboat Key


Captiva Island

Sanibel Island


 
 

Casamento na praia. In America, anything is possible...
Fim de tarde em Holmes Beach

terça-feira, julho 20

Diários da Florida 6

Em Venice Beach, prossegue o desfile da América. Sim, é verdade, reformados ao sol com palas e muito relax. Fazem-me pensar que os pais de Jerry Seinfeld afinal não são tão imaginários quanto isso. Ou, por outra, a sempre inigualável realidade superando a ficção.



terça-feira, julho 13

Diários da Florida 5

O outro lado da Florida

Depois da confusão de Miami, atravessamos a Florida de costa a costa. Uma auto-estrada em linha recta leva-nos até às praias do Golfo do México. A chegada é ao pôr-do-sol e as águas quentes são um conforto para a alma e para o corpo maçado da estrada. De resto, chama a atenção sobretudo a limpeza, a organização e o respeito pela vida selvagem. Pelo menos enquanto não chegar alguma companhia petrolífera que transforme este paraíso num inferno...











 Fim de tarde em Naples Beach

Aves marinhas. Por todo o lado, junto às pessoas, com o ar descontraído de quem está em casa à vontade com os convidados.
 


A pesca. Esqueçam o basebol e o futebol americano. Este é que é o verdadeiro desporto nacional por estes lados.

Pontão em Naples Beach. Quem não tem uma cana de pesca é estrangeiro.