segunda-feira, janeiro 19

Alentejo

Aqui há deserto,
aqui
vidas que se ocultam nas sombras,
Homens e Mulheres
são a história
esquecimentos alheios.

Aqui o deserto é ilusão,
espelho reflectindo
a água serena da vida
a água correndo nas almas
sem se importar
com olhos secos forasteiros.

segunda-feira, janeiro 12

À volta cá te espero

É curioso o universo. Num minuto está-se a tentar inverter a sua tendência e sua-se as estopinhas de frustração, no minuto seguinte pára-se de tentar e o universo vem ter connosco de braços abertos e sorriso largo. "Préstórias" fechou porque o seu autor estava fechado, imerso em objectivos e desejos e outras prisões que tais. O autor foi lá abaixo e voltou, baixou os braços e relembrou que a vida não se leva na luta mas na firmeza. Escrever aqui é um gosto. Não tem de ser mais que isso, não é mais que isso. Melhor ainda foi perceber que ler o que por aqui fica dito é também um gosto para muitos. A eles lhes peço desculpa pelo egoísmo das expectativas e lhes garanto que agora é para durar. Peço sobretudo desculpas ao autor. Por mais fechado que estivesse não se justifica a falta de respeito. "Préstórias" volta e deve ser para ficar.

p.s. não resisto: um obrigado especial à Virgínia, ao Lima, à Inês, ao Pedro, à Maria Ana. E ao Ricardo.

quarta-feira, outubro 8

FIM

E pronto, chegou o momento. PRÉSTÓRIAS vai ser desactivado. Agradeço, e muito, a todos os que me leram durante os últimos dois anos, a todos os que com entusiasmo e emoção seguiram as minhas viagens, a todos os que me enviaram comentários e que de um modo ou outro foram seguindo as palavras que por aqui deixei. Mas tudo tem um fim. O blog mantém-se aberto no mesmo endereço de sempre para que seja possível a sua consulta. Até qualquer dia.

Mr Vertigo, David Frazer

segunda-feira, outubro 6

Godot não vive no meu bairro

A cidade é uma das maiores contradições da humanidade. Juntam-se milhares, às vezes milhões, de pessoas num mesmo espaço e aumenta-se o isolamento. Isto é, quantos mais somos, menos nos vemos uns aos outros. Escapam as gentes com vida de bairro e as que vivem em cidades com verdadeiro espírito cosmopolita, mas mesmo estas últimas sofrem as agruras de mal terem tempo de se verem a si próprias, quanto mais aos outros.

Pensando na cidade onde vivo, esta Lisboa das sete colinas, uma análise ainda que superficial chega rapidamente à conclusão que nem vida de bairro, nem espírito cosmopolita. Há excepções, claro que há excepções – até porque há bairros e vida a condizer com eles –, mas a grande maioria dos mortais lisboetas vive no limiar entre o sms e o e-mail. É que, não havendo tempo, não há pessoas e quem as encontre. Assim sendo, trata-se de tudo por mensagem ou correio electrónico. Só para descobrirmos, na maior parte das vezes, que “esta 2ª não dá” ou que “na próxima 4ª já tenho não sei o quê combinado”. Resultado: amigos que vivem na mesma cidade e que conseguem estar três meses sem se falarem, sem se verem, sem sequer terem notícias um do outro. Mas claro que não há desculpas para os afastamentos. Afinal, se se sentir só, a solução é fácil: mande um sms ou escreva um e-mail. Ou então saia de casa e espere que o acaso trate do resto. É mais fácil encontrar uma cara familiar no meio de três milhões de pessoas do que numa casa onde só viva uma.

quinta-feira, outubro 2

A minha parede

Paula Rêgo, O Tempo Passado e Presente, 1990.