sábado, setembro 30

quinta-feira, setembro 28

To remember while in the storm

Whatever Will Be, Will Be

When I was just a little girl
I asked my mother what will I be
Will I be pretty, will I be rich
Here's what she said to me

"Que sera, sera
Whatever will be, will be
The future's not ours to see
Que sera, sera
What will be, will be"

When I grew up and fell in love
I asked my sweetheart what lies ahead
Will we have rainbows day after day
Here's what my sweetheart said

"Que sera, sera
Whatever will be, will be
The future's not ours to see
Que sera, sera
What will be, will be"


Now I have children of my own
They asked their mother what will I be
Will I be handsome, will I be rich
I tell them tenderly

"Que sera, sera
Whatever will be, will be
The future's not ours to see
Que sera, sera
What will be, will be"


Doris Day

terça-feira, setembro 26

Diários da Índia 5

Caleidoscópio


Pahalgam, Cachemira
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domingo, setembro 24

Paz

A paz. Aqui mesmo, ao alcance dos dedos, dos braços, do corpo inteiro, do ser que se entrega. A paz. Nesse lugar tantas vezes assustador, tantas e tantas vezes medonho, de onde tantas vezes se foge às cegas, sempre com o temor da verdade. O silêncio, a ausências das palavras, da música, do vento, de todo o ruído do mundo. A paz. Neste lugar, aqui mesmo, neste tempo, o agora que a cada momento se esgota e renova. O medo que se conhece de perto, as fraquezas que se reconhecem, a calma e a coragem perante a evidência de se estar, de apenas ser. Ser e estar somente, ainda que não só, na companhia do universo. Olhar à volta e sentir que tudo é, que tudo simplesmente está. Sentir que nada me derruba perante o magnânimo reconhecimento do que sou. A aceitação completa e real de mim mesmo. Fechar os olhos e sentir o gosto ao meu próprio coração, tocar ao de leve no sangue que me escorre por dentro, fechar os olhos e ver que se fecham os olhos por entre a escuridão. A cada fôlego sentir o sossego e sorrir, rir bem alto com esta paz que se constrói por dentro.

Diários da Índia 4

Impermanência


Mahabodhi International Meditation Centre, Leh, Himalaias

A impermanência de todas as coisas, a constante mudança a que está sujeito tudo quanto vive e existe deve ao homem servir não só de aviso como igualmente de consolo. Quando se experimentam sentimentos de alegria e felicidade, é bom que o homem se lembre de que tais sentimentos não irão durar para sempre. Deve então o homem aproveitar tais momentos no seu pleno, ao mesmo tempo que reconhece a necessidade de constantemente os cultivar, pois de contrário esgotar-se-ão ainda de forma mais rápida. Por outro lado, ao experimentar sentimentos de tristeza, raiva ou angústia, é igualmente bom que o homem se lembre de que tais sentimentos não irão permanecer em infinito no contínuo do seu tempo. Deve então o homem esperar, reconhecendo que tais sentimentos, embora impossíveis de evitar, devem agora ser compreendidos para que possam doravante ser da sua vida erradicados.
Em todo o caso, deve o homem aceitar. É fácil aceitar o que o homem define para si mesmo como bom, aquilo que lhe dá prazer e bem-estar. O que é difícil para o homem é aceitar o que para si define como mau, o que, comparado com o que lhe dá prazer, faz o homem sentir o lado escuro da vida. Porém, ao reconhecer que tudo muda e tudo é impermanente, o homem poderá encontrar sossego na certeza de que, tal como aquilo que chama de bom, também o que denomina de mau se esgota na passagem do tempo e na acção concreta dos dias. Por isso, é tolice o homem iludir-se com o que é prazer, agarrando esses momentos como se nunca quisesse que findassem. Em simultâneo, de nada vale ao homem afundar-se na angústia do que é dor e é sofrimento. Ao homem resta-lhe apenas viver, simplesmente viver o que a vida é, sem se agarrar ao que é bom como um náufrago desesperado com medo do que possa ser mau. Todavia, perante o conhecimento do que é para si bom ou mau, perante o reconhecimento de que em tudo se encontra a substância da vida, pode um dia o homem agir no sentido da paz e da felicidade, precisamente esse lugar onde nem bom nem mau subsistem, onde tudo apenas é, onde tudo impermanece como um simples fôlego de respiração.
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