quarta-feira, agosto 8

Viagem ao Centro das Américas 24

Parti de Santa Ana pouco passava do meio-dia. Destino: Juayúa, uma pequena cidade situada na Sierra Apaneca, a primeira da chamada Ruta de las Flores. Este percurso atravessa metade da Sierra Apaneca, entre montanhas, vulcoes e plantaçoes de café. O nome vem dos campos que se cobrem de flores entre Outubro e Março e que eu, infelizmente, nao deverei ver. Inclui três paragens em três pequenas cidades: Juyaúa, Apaneca e Ahuachapán. Juayaúa tem também a particularidade de ser a sede de uma conhecida feira gastronómica que acontece aos fins-de-semana e durante as férias agustinas (período que vai de 1 a 6 de Agosto e em que apenas os habitantes de San Salvador, a capital, podem gozar de um período de descanso). Precisamente por causa das festas agustinas, a feira prolongou-se até segunda-feira e assim tive a oportunidade de saborear um magnífico frango frito na chapa que, julgo, é coisa típica da Argentina. Por aqui vou pois ficar mais alguns dias, sendo que deverei continuar em El Salvador pelo menos mais uma semana. Estou totalmente imerso e fascinado com este pequeno país.

Viagem ao Centro das Américas 23

Reflexao sobre o desequilibrio

Cada cidade, cada vila, cada nicho de vida organizada em sociedade reflecte o estádio de civilizaçao do seu mundo mais próximo. Assim, é muito mais comum encontrar neóns reluzentes de publicidade nas cidades da Europa e dos Estados Unidos que nas cidades da Índia ou da América Central. As primeiras sao sociedades altamente orientadas para o consumo, enquanto as segundas se ocupam ainda sua sobrevivência. No caso da América Central, é curioso observar o quanto a sociedade está orientada para a vida espiritual e religiosa. As igrejas ocupam os lugares centrais de todas as cidades, vilas e aldeias, os canais de televisao debitam constantemente programas religiosos, em todas as lojas e casas há frases e figuras religiosas que reflectem toda uma forma de estar na vida que se sente quando por aqui se passa. Curiosamente, já havia observado o mesmo em paises como Marrocos ou a Índia, embora aqui a religiao e a espiritualidade se reflictam sobretudo na força e dimensao dos rituais. Assim, é pois natural concluir que quanto menos uma sociedade faz do consumismo a sua prioridade máxima, mais ela parece estar orientada para fazer das religioes e seus rituais o seu principal retrato. Todavia, as cidades da Europa e dos Estados Unidos estao normalmente mais limpas, mais seguras e reflectem um nivel e uma qualidade de vida inegáveis.

Figura de Deus, Catedral de Santa Ana, El Salvador

A dúvida que se instala é entao a seguinte: onde sao as pessoas mais felizes? É uma pergunta muito difícil, reconheço, e seria quiçá demasiado pretensiosismo procurar responder-lhe em meia-dúzia de linhas. Ainda assim, é sempre possível estabelecer pelo menos algum termo de comparaçao. As sociedades mais religiosas (chamemos-lhe assim por conveniência de argumento - é óbvio que existe consumismo e religiosidade dos dois lados) parecem estar mais orientadas para a comunidade. Isto tem desde logo uma explicaçao mais ou menos evidente: o indivíduo tem muito mais dificuldades em subsistir sozinho. Sem a comunidade, sobretudo sem a família, o sujeito pode estar irremediavelmente condenado à miséria. Por outro lado, e porque nestas coisas nunca se sabe muito bem onde está o começo e o término de uma dada realidade, a própria filosofia inerente a qualquer religiao valoriza o papel da família, sobretudo o da hierarquia entre mais velhos e mais novos. Ao contrário, é hoje evidente nas sociedades do chamado primeiro mundo (outra vez, a nomenclatura é só por questoes de conveniência) que a instituiçao familiar se encontra em crise. Basta passar uma manha numa qualquer escola numa qualquer cidade média para constatar esta evidência, basta ver as histórias de solidao que cruzam os telejornais em horário nobre. Porém, neste caso, e talvez nao por acaso, é interessante observar como a sobrevivência do indivíduo está muito menos posta em causa. Isto resulta, obviamente, de um maior nível de vida em termos económicos. Embora a vida nunca seja fácil para o comum dos mortais em parte alguma, o certo é que em vários países da Europa, por exemplo, um emprego pode ser desde logo sinónimo de independência, se nao total pelo menos suficientemente parcial para que o indivíduo se baste mais ou menos a si mesmo. Por outro lado, é também certo que as sociedades mais consumistas, por o consumismo se destituir de grandes complexidades, apresentam hoje maiores problemas éticos e morais - a chamada crise de valores - para nao falar no consumo crescente de anti-depressivos.

Publicidade num aviao da US Airways

Nas minhas viagens por paragens mais longínquas, em países que se podem talvez considerar ainda como em vias de desenvolvimento, encontrei uma humanidade e uma dimensao espiritual que sem dúvida me impressionou, e muito, pela positiva. Também nao é incomum encontrar outros viajantes que, vindos de lugares semelhantes àquele de onde vim, se decidiram a ficar, quase todos em busca de uma qualquer dimensao de humanidade social que supostamente lhes escapa. Curioso é, porém, notar que outra coisa relativamente vulgar é encontrar pessoas, sobretudo jovens naturais dos lugares que visito, que procuram indagar sobre como se trabalha e se vive no país ou regiao de onde venho. E aqui sucede também algo de extraordinário, pois o que mais sucede é dar-me conta do quao acima estou de facto do seu nível de vida ao mesmo tempo que lhes percebo no rosto e nas palavras uma certa admiraçao e uma certa inveja. Assim sendo, já aqui o disse, permanece sempre por saber qual dos lados convive mais de perto com a felicidade. Outra questao se levanta entao: estará o Homem condenado a este eterno desequilíbrio?
Para a Irene

terça-feira, agosto 7

Viagem ao Centro das Américas 22

Subir um vulcao. Melhor, subir dois. Cerro Verde e Izalco, os dois mesmo ao lado um do outro. Para se chegar ao Izalco, o mais famoso, é preciso primeiro descer o Cerro Verde, mais alto. Claro que, ao regresso, é preciso descer o Izalco e depois subir o Cerro Verde. Curiosidade: a altura do Izalco é qualquer coisa como 1950 metros, Cerro Verde anda à volta dos 2100.
Antes, é preciso chegar ao Parque Natural Cerro Verde, onde os dois estao situados. O autocarro apanha-se em Santa Ana às 8 horas da manha, às 10 estou lá. É necessário ir-se com um guia e só há uma visita orientada por dia, que começa às 11. Orientada porque tem guia e tem polícia, duas coisas fundamentais para um tipo nao se perder ou ficar com as calças na mao no meio do nada. Sao 10.30 quando travo conhecimento com aqueles que hao-de ser os meus companheiros de luta pela montanha acima: Alberto, Óscar, Nelson, Maurício e Moisés, cinco amigos mais ou menos da minha idade vindos de El Salvador e dotados da habitual simpatia salvadorenha. Há mais pessoas, claro, mas os cinco caramelos mais o "tuga" vao logo para o pelotao da frente, lá para a frente puxar que isto é tudo rapaziada nova. O guia é Herson, um rapazinho de 13 anos e corpo franzino que mostra como se faz. Este é pois o ponto de partida:

Montanha abaixo, vulcao acima, nao há tempo para parar e tirar fotografias. O ritmo tem de ser forte que é para nao quebrar. A principio, parece fácil. Afinal, para baixo todos os santos ajudam. Nao é. A inclinaçao obriga a travar constantemente e cada passo é um pontapé nos músculos. O entusiasmo da "mara" (malta, em espanhol salvadorenho) faz a primeira vítima. Moisés aterra de tornozelo depois de um salto mais arriscado. Homem ao chao e alguns urros de dor... contidos, que estamos aqui entre homens e nao há que dar parte de fraco. O desempenho de Moisés está agora seriamente comprometido e é certo que este Moisés nada tem a ver com o outro, aquele que abriu o mar e subiu à montanha para debitar mandamentos, embora lhe pareça ler no rosto que pede a Deus um elevador. Nada a fazer, Moisés há-de continuar mas há-de ser o último a chegar, já coxo e derreado.
Termina a descida, começa a primeira prova a sério. A subida ao Izalco nao tem caminho, é amarinhar por cima de rocha vulcânica, bocados de lava amontada há muito cuspidos que a chuva e o tempo se encarregaram de secar. De resto, quando nao é rocha, é areia, o que é ainda mais difícil. Logo no início da subida Moisés e Maurício ficam para trás, os dois mais "fortes", por assim dizer, e também os dois que se dedicam à saudável arte do fumo, parece que lhes vi na mao um maço de Marlboro logo quando descemos Cerro Verde, mas... Um pouco mais acima é a vez de Óscar e Nelson abrandarem a marcha para ritmo "parado sentado numa rocha contemplando o horizonte." Alberto resiste um pouco mais, mas pouco depois deixo de escutar a sua respiraçao atrás de mim. Estou só eu e Herson, esse mesmo, o rapazinho de 13 anos e corpo franzino. Agradeço aos céus todos aqueles anos a praticar ciclismo de alta montanha, mas Herson nao está aqui para brincadeiras. Sigo sempre com ele até ao topo, mas dá-me ideia que o sacana até abranda o passo de propósito, porque afinal é guia e nao lhe pagam para humilhar turistas, ou pelo menos nao todos. Chegamos ao topo entao. E o que lá encontramos? Escuteiros. Pois é, estao mesmo em todo o lado. Aí estao eles, há muito instalados no meio das nuvens.

E é assim a cratera do Izalco:


Depois, vem a melhor parte. Primeiro sao apenas umas pingas, uma leve humidade que se julgaria natural dado o nevoeiro. Estamos à altura das nuvens, se calhar isto é só água a passar. Nao. As gotas ficam mais grossas e o que acontece a seguir chega a ter dimensao bíblica. Chove torrencialmente e... nao há abrigo. Algumas rochas aqui e ali podem proteger do vento, mas de resto é tomar um duche com um toque de banho de imersao. Penso "eu trouxe uma capa para a chuva"; digo "estúpido, deixaste-a no hotel". Enfim, eis o estado em que ficou este vosso amigo.

A chuva, note-se, nao foi uma coisa intensa que passasse em 5 minutos. Foi uma coisa intensa que nao passou ao fim de meia hora ou mais. Nao fosse um providencial saco de plástico vindo de uma sandes do Moisés e estaria na difícil situaçao de mostrar aos guardas na fronteira um passaporte sem letras.

A chuva pára entao finalmente, mas os olhares entre nós já dizem o que todos sabemos. O pior vem agora, completamente ensopados e o vento a quase 2000 metros de altitude. Façam uma pequena ideia do que seria tomarem banho com o vosso frigorífico e uma ventoinha sempre a bombar na velocidade máxima. Mas, a natureza sabe o que faz. Nao esquecer que estamos num vulcao ainda considerado activo. Logo, há fumarolas por todo o lado. Em pouco tempo, já a "mara" cruzou a cratera a correr e se aninhou junto ao vapor quente vindo das rochas. O vapor, claro, nao seca a roupa, mas aquece o corpo e o espírito. É aqui que começam as conversas sobre futebol, gajas e calao salvadorenho. Ora cá estao os meus dois amigos Mauricio e Moisés, junto a esta verdadeira sauna natural. O fumo que se vê na foto nao é de nuvens nem nevoeiro, é mesmo aquele gás que vem das entranhas da terra.



De espírito restabelecido, toca a descer. Para alguns será mais rebolar. Felizmente que a descida se faz quase na totalidade pela areia. Sinto-me um surfista a fazer downhill. Ao fim de pouco tempo apanho-lhe o jeito. Aos saltos e o corpo de lado, ora para esquerda ora para a direita. É a parte sem dúvida mais divertida do percurso, mas também a que gera mais adrenalina. Consigo cair só uma vez, felizmente de cóxis. Herson, já lá em baixo, diz-me que nao é raro ver um turista ou outro sair dali com pernas ou tornozelos partidos. Vá lá, safei-me. Cá em baixo, é mais ou menos isto que eu vejo, o Izalco a tocar nas nuvens. Se tiverem aí uma lupa, podem ver o Alberto e o Óscar mais ou menos a meio a descer a toda a brida.

Nao, isto ainda nao acabou. Agora é tempo de subir o outro, Cerro Verde. Este tem duas particularidades. Primeiro, a subida nao é por rocha vulcanica mas por um trilho feito de degraus e terra. Com a chuva, feito de degraus e lama. Por degraus entenda-se claro troncos de madeira metidos no meio do solo. Segundo, o nome Cerro Verde nao é por acaso. Toda montanha está coberta de árvores e mato. Logo, mesmo sem chover, a água amontada nas árvores e a humidade própria das florestas da América Central há-de nos cair em cima o caminho todo. Este é o aspecto do que ainda nos resta.


E este é o seu aspecto por dentro.

A história repete-se. Só eu e Herson, mas agora a resvalar pela lama. Herson sente-se confiante (?) e desafia-me para cortarmos caminho por atalhos. Ou seja, deixar o trilho e subir pela encosta ainda mais íngreme e enlameada. E eu lá sou de recusar desafios? Porém, a dado ponto, começo a vê-lo ganhar distância. Já está. O último turista armado em esperto acaba de ser abatido. Resta a natural bondade salvadorenha de Herson. Lá espera por mim e acabamos por chegar cá a cima juntos. Cumprimentamo-nos como verdadeiros companheiros de equipa. Sinto-me mais vivo do que nunca, eu e este rapazinho de 13 anos a celebrar a conquista das montanhas.


Despeço-me de Herson e sento-me numa rocha à espera. Alberto chega nao muito tempo depois. Quando Oscar e Nelson chegam já eu e Alberto tivemos tempo de falar sobre El Salvador, a guerra, os terramotos, viagens e, claro, namoradas. Quando Maurício e Moisés chegam, estamos há mais de uma hora à espera. "No pasa nada". Instala-se aquele clima que vem depois das conquistas, a calma e a boa disposiçao. Vou até á beira da montanha e contemplo o Izalco, a mais fabulosa das vistas.

É tempo de arrancar. Mas antes, uma última foto do "time". Da esquerda para a direita, Óscar, Mauricio, Nelson, Alberto, eu e Moisés.

O último autocarro para Santa Ana há muito que já saíu, mas os meus novos amigos oferecem-me a boleia que me salva de ter de decidir ficar a dormir nalgum abrigo ou simplesmente hibernar para poupar dinheiro. Na viagem de regresso, uma última paragem para a despedida: o Lago de Coatepeque.


Para a Maria Ana



segunda-feira, agosto 6

Viagem ao Centro das Américas 21

El Salvador

A história de El Salvador pode bem começar em 1821. 15 de Setembro, este pequeno país, "entalado" entre a Guatemala, as Honduras e o Oceano Pacífico, obtém a independência de Espanha. Antes disso, séculos de repressao sobre os povos indígenas explicam a actual aparência física dos salvadorenhos. Embora vagamente parecidos com os seus vizinhos, os salvadorenhos sao os mais europeus de toda a América Central. Nas ruas de Santa Ana, por exemplo, nao é difícil ver gente de cabelo louro ou olhos claros.
Após a independência, o café torna-se a principal produçao de El Salvador e o pilar da sua economia. A riqueza que gera, porém, à imagem do que sempre havia sucedido no passado, recai nas maos de uma elite minoritária que controla e gere o país a seu bel prazer. Em 1932, Augustín Farabundo Martí, fundador do Partido Socialista da América Central, lidera uma revolta da populaçao juntamente com os povos indígenas. As forças militares, controladas pela elite governamental, respondem com violência. Estima-se que terao morrido cerca de 30.000 pessoas, naquilo que ficou conhecido na história do país como La Matanza. Martí é preso e fuzilado, mas o seu nome e o seu heroísmo haverao de ser preservados pelo tempo e pela acçao dos seus sucessores.
Lago de Coatepeque

Os anos 70 marcam um período negro no qual El Salvador sofre severamente com problemas como o desemprego e a sobre-populaçao, aliados ao contínuo problema da posse de terra de poucos em detrimento de muitos. No final dos anos 70, um golpe militar liderado pela direita derruba o presidente Carlos Romero. À populaçao sao prometidas reformas de fundo que jamais chegam a concretizar-se. Os partidos da oposiçao reúnem-se e forma a FDR (Frente Democrática Revolucionária) e aliam-se a um outro grupo constituído por várias guerrilhas. Este último denomina-se de FMLN - Frente Martí de Liberación Nacional - preservando assim o nome de Farabundo Martí, líder da primeira revolta popular. As acçoes de guerrilha sucedem-se como forma de pressionar as reformas e mudanças cruciais para uma populaçao a braços com uma cride económica e social desesperante. Neste ponto, a igreja católica desempenha uma vez mais um papel fundamental, criticando de forma aberta a política de repressao do governo. Um dos elementos mais activos nessa crítica é Monsenhor Oscar Romero. Em Março de 1980, Romero é assassinado enquanto reza missa numa capela em San Salvador. Em resposta, a guerrilha intensifica a sua actividade efectivando uma guerra civil que há muito se delineava. A guerrilha, em muitos lugares apoiada pela populaçao, ganha em relativamente pouco tempo controlo sobre várias regioes no norte e no leste do país. Todavia, as forças militares do governo têm um poderoso aliado. O governo americano, sustentando o vezeiro argumento de nao deixar que o socialismo tome conta da América Latina, financia repetidamente o governo salvadorenho e o seu exército, deste modo prolongando o conflito. Em 1981, o batalhao norte-americano Atlacatl intervém em El Mozote, Morazánm, no leste do país, e mata mais de 900 pessoas entre a populaçao civil.
Santa Ana
A guerra segue o seu trágico percurso de sempre. Mais de 300.000 refugiados deslocam-se dentro e fora do país. O governo salvadorenho consegue suster a luta da guerrilha criando e apoiando grupos armados, "esquadroes da morte, que perseguem e aniquilam todos os que se perfilham com os opositores. A guerra conhece entao um outro lado perverso. A FMLN, supostamente apoiada por uma frente popular, necessita de estagnar a economia de forma a manter a tensao social e assim pressionar a queda do regime. Para tal, destrói infra-estruturas, plantaçoes de café e gado, contribuindo assim ainda mais para a miséria e desespero do povo salvadorenho. A guerra conhece apenas uma trégua. Em 1985, um violento tremor de terra atinge todo o país, destruindo parte da capital. Governo e FMLN acordam em suspender os combates durante o período de auxílio à populaçao.
Vulcao Izalco
Só em 1990, as Naçoes Unidas intervêm no sentido de mediar negociaçoes entre a FMLN e o governo. Um acordo de direitos humanos é assinado, mas violado desde logo, o que resulta num aumento da luta armada e das mortes entre a populaçao. Em 1991, as forças militares das Naçoes Unidas entram em El Salvador de modo a permitir a estabilidade necessária às negociaçoes de paz. O acordo entre as duas partes é assinado no início de 1992, sendo o cessar-fogo efectivo a partir de Fevereiro do mesmo ano. A FMLN torna-se um partido da oposiçao e o governo compromete-se a desmantelar os seus esquadroes da morte. Todavia, o governo concede a muitos dos responsáveis pelas violaçoes dos direitos humanos amnistia total, permanecendo muitos deles ainda hoje em posiçoes de poder. A guerra durou mais de doze anos e matou mais de 75.000 pessoas.
Chego a El Salvador em 2007, 15 anos depois do fim da guerra civil. Encontro um povo dotado de uma afabilidade verdadeiramente extraordinária. O salário mínimo do país é o mais alto da América Central e a sua economia apresenta índices de desenvolvimento superiores a muitos dos seus países vizinhos.
Para a Conceiçao

Viagem ao Centro das Américas 20

Catedral de Santa Ana, El Salvador





Para a Carla D.