terça-feira, agosto 19

Diários do Médio Oriente 24

Sair de Damasco


A saída de Damasco faz-se assim, de Kia Cerato. Bom para matar saudades do boguinhas que ficou lá para os lados de Lisboa. Aqui, é tempo de partilhar os assentos com mais dois viajantes, o condutor e uma senhora que chora ao despedir-se e que fala um inglês misturado com francês, o que semre dá para nos entendermos. O destino de todos é Amã, a capital da Jordânia e esta coisa dos táxis partilhados é prática comum por estes lados. Preparo-me pois para me despedir da Síria e, sobretudo, das suas gentes. A Síria é um desses lugares feitos à medida dos viajantes que procuram perder-se num lugar para retirar desse lugar o que de mais autêntico tem. Não tem monumentos de renome (excepto talvez Palmyra, onde não cheguei a ir) nem parques naturais capazes de arrastar multidões. Tem pessoas e é delas que jamais me vou esquecer.

sábado, agosto 16

Diários do Médio Oriente 23

Lição de Humildade

Como se sente um analfabeto, um ignorante? Talvez sintam muitas vezes que não sabem onde estão, talvez não consigam encontrar uma rua porque não podem ler os nomes das ruas, talvez não possam apanhar um qualquer autocarro porque não sabem para onde vão os autocarros, talvez não saibam o seu lugar num comboio porque não percebem o que está escrito no seu bilhete. Talvez sintam muitas vezes que podem ser facilmente enganados, e isso os faça desconfiados, talvez seja antes o caso que se sintam à mercê do mundo e isso os torne dependentes. Talvez não sintam nada disto e se abandonem simplesmente à sorte e ao acaso e sejam felizes assim mesmo. Qualquer um de nós pode dizer de alguém assim "coitado", qualquer um de nós pode sentir-se culto, letrado, pode sentir que não pode ser enganado, pode até pensar que sabe, que isso da ignorância é algo que a que escapou graças ao árduo trabalho do estudo ou à mera sorte. Seja como for, quando qualquer um de nós o disser, melhor será ter em conta que algures no mundo há lugares onde até o mais graduado dos académicos se sentiria um analfabeto, incapaz de ler uma simples placa de um simples nome de rua. Por mim, é tão fácil como não saber árabe e chegar aqui. Com o seu alfabeto e escrita próprios, sou incapaz sequer de associar um símbolo com um som. Então talvez qualquer um de nós sinta que o único refúgio possível é mesmo esse, o do abandono à sorte. Mais que isso, que não resta outra alternativa senão confiar nas pessoas. Sobretudo, aprender a confiar em nós mesmos, no que sentimos e no que nos diz o instinto. Enfim, aprender a reconhecer que andamos uma vida inteira a aprender e que o que sabemos é mesmo muito pouco.

quinta-feira, agosto 14

Diários do Médio Oriente 22

Damasco, Síria

A entrada para a cidade velha, o Souk El-Hamidiyeh. Um lugar simplesmente incrível. O "túnel" estende-se por mais de um quilómetro até desembocar junto à mesquita Ummayad. Percorri-o vezes infinitas, chegando ao fim e voltando para trás, só pelo prazer de o percorrer. Indescritível.



Vendedor de água





Cidade velha


Mesquita Ummayad









Para refrescar, um gelado nesta pastelaria de que já não me lembro o nome. Sei apenas que foi um dos melhores gelados da minha vida. O lugar é tão famoso que só entrar e sair é uma aventura, tal a massa de gente em movimento. O senhor na fotografia de camisa aos quadrados é Ahmed, um egípcio que conheci em Lattakia e que voltei a encontrar em Damasco. Sem ele e o seu árabe fluente teria sido impossível pedir o que quer que fosse.

Diários do Médio Oriente 21

Caminho para Damasco


Caminho de esforço, de perda, de encontro. Caminho de morte e de vida, caminho de redenção, caminho de conversão, caminho de fé. Caminho para a glória, para o poder, para a conquista de impérios e para a riqueza das nações. Caminho sem tempo, eterno, longínquo, caminho de memória. Caminho de reis, de generais, de exércitos, de plebeus, de povos e de gentes sem lugar. Caminho de viajantes, de aventureiros perdidos e de heróis descobertos. Caminho para o deserto e para a abundância, caminho para o interior, caminho para o silêncio e para a alegria. Caminho para Damasco. Caminho do mundo.

Diários do Médio Oriente 20

Lattakia, Síria

Dois símbolos nacionais que estão por todo o lado: o táxi amarelo e a fotografia do presidente Bashar al-Assad.

Igreja cristã e a cruz. Não, não andam todas a explodir em ataques fanáticos. Estão integradas nas cidades e sociedades, com tolerância evidente.

Trabalha tu...

Lattakia é o porto mais importante da Síria. O porto estende-se pela linha de costa ao longo de mais de metade da cidade.


Pôr-do-sol sobre o Mediterrâneo