domingo, agosto 3

Diários do Médio Oriente 2

Mundo Novo

Passaram quase 10 horas desde que deixei o Aeroporto de Lisboa, 5 desde que saí de Frankfurt. Uma hora pelo menos foi passada na fila de espera do Atatürk International Airport. Não percebo uma palavra à minha volta, por isso sigo as instruções do guia e os nomes das estações para chegar finalmente a Sultanhamet, o famoso bairro histórico de Istambul. A primeira coisa que vejo quando saio do "tram" é a Sultan Hamet Cemii (a mesquita azul) e, no lado oposto do parque, o Aya Sofia. Pelo meio, um parque cheio de turistas e de locais goza as primeiras horas de uma noite de Verão. Tenho a sensação de estar num local diferente, mas vagamente familiar. É então que acontece. Do alto dos minaretes, os altifalantes gritam a chamada para a prece. As vozes em Árabe cantam pelo ar como ondas de choque. Mulheres e homens param no passeio e viram-se para a mesquita com as mãos unidas e as palmas voltadas para o rosto. O som é tão forte que parece ressoar por dentro da pele. É este o momento. Começou a viagem.


Sultan Hamet Cemii, vista do parque, Istambul


Sultan Hamet Cemii, Istambul

Diários do Médio Oriente 1

Prelúdio

Chego ao aeroporto duas horas antes do vôo. Demoro menos de 20 minutos a passar o check-ın e os controlos de segurança. Começa fácil esta viagem, penso. Sento-me junto à porta de embarque e vejo o amanhecer sobre a pista. O tempo passa, aproxima-se a hora definida para o embarque. Nada.


Por toda a parte começam a surgir avisos de atraso. Vôo para Paris, três horas de atraso, Zaragoza, hora e meia, Veneza, duas e mudou a porta de embarque. Começo a aguardar pacientemente que me digam que vou ter de esperar em Lisboa até à hora de almoço. Mas não. Parece que o vôo para Frankfurt é dos que não vai atrasar mais. Passo pela pista em dırecção ao "Aquilino" deixando para trás o "Eusébio" e o "Amália Rodrigues". A última coisa que vejo da janela antes de levantar em dırecção aos ares é curiosamente um lembrete do assunto do momento em Portugal. Mais que isso, para mim é algo que me relembra a alegria do regresso na hora da partida.

sexta-feira, agosto 1

Casa

Antes de partir, regresso a casa. Regresso ao cheiro da maresia quando o dia termina e quando o dia recomeça, ao sabor da cozinha velha preso no pão, ao rio onde mergulha a infância que vai e vem com a corrente das marés, às vozes e rostos que me lembram de onde venho. Guardo a casa cheia de futuro e de passado na mochila que trago por dentro da vida. Todas as viagens começam deste lugar.


Vila Nova de Milfontes, Alentejo.





Que livro hei-de levar?


Antes de começar a grande viagem, abro aqui um espaço para sugestões. Embarco daqui a pouco mais de 24 horas, por isso não há tempo a perder. Basta deixarem um comentário. Juro que depois divulgo os "vencedores".

Que música hei-de levar?


Antes de começar a grande viagem, abro aqui um espaço para sugestões. Embarco daqui a pouco mais de 24 horas, por isso não há tempo a perder. Basta deixarem um comentário. Juro que depois divulgo os "vencedores".